13 de jul de 2012

Mulheres Ameaçadas.

Assista a nova série especial de reportagens do Jornal da Record: Mulheres Ameaçadas. A série retrata a realidade das mulheres brasileiras; algumas são vítimas dentro da própria casa.


A cada cinco minutos uma mulher é agredida. E, de cada dez assassinatos, sete são cometidos dentro de casa. 

Vítimas denunciam agressão e não são ouvidas a tempo 
Na primeira reportagem da série especial Mulheres Ameaçadas, a equipe do Jornal da Record mostra histórias de mulheres que tiveram coragem de denunciar a agressão sofrida, mas que não foram ouvidas a tempo.

Lei Maria da Penha encontra dificuldades para proteger vítimas
A lei Maria da Penha, que protege as mulheres contra a violência doméstica, está prestes a completar seis anos, mas ainda encontra obstáculos para punir os agressores e defender as vítimas. Muitas denúncias de violências no Brasil ficam impunes por falta de provas, por vontade das vítimas ou por incapacidade do Estado.

Repórter comenta impunidade contra agressões mesmo com a Lei Maria da Penha
O repórter Eduardo Ribeiro comenta sobre o capítulo desta terça-feira (10) da série especial Mulheres Ameaçadas, do Jornal da Record. Apesar da Lei Maria da Penha, muitos agressores continuam impunes e por causa desta impunidade muitas mulheres morrem sem ao menos receber proteção do Estado contra homens violentos.

Vítimas traumatizadas pela agressão sexual contam suas histórias
A agressão sexual faz parte dos vários tipos de violência contra as mulheres e representa um trauma difícil de esquecer. Mulheres vítimas de estupros que ficam grávidas tem o direito de abortar e a novidade é um importante hospital público está fazendo um banco de dados com material genético dos fetos para ajudar a Justiça a punir os criminosos.

Repórter explica novos procedimentos contra o abuso sexual
Na reportagem desta quarta-feira (11), o repórter Eduardo Ribeiro fala sobre agressão sexual. Mulheres vítimas de estupros que ficam grávidas têm o direito de abortar, e a novidade é que um importante hospital público está fazendo um banco de dados com material genético dos fetos para ajudar a Justiça a punir os criminosos.

Vítima de violência não passa duas noites no mesmo local
A reportagem desta quinta-feira (12) mostra que se a lei fosse cumprida no Brasil teríamos menos vítimas de violência doméstica. Muitas vezes, a lei Maria da Penha não coloca medo nos agressores, que sabem que ela não será cumprida. Conheça a história da mulher que mesmo com a proteção da Justiça contra a aproximação do marido ela não durma mais que duas noites no mesmo lugar com medo de ser assassinada.

Brasil ocupa 7º lugar na lista de países onde mais morrem mulheres violentadas
Denunciar o agressor requer coragem. Muitas vítimas desistem de levar adiante a denúncia por medo, vergonha e ameaças. Mas, uma decisão do Supremo Tribunal Federal permite que o Ministério Público continue a investigação mesmo que a queixa de agressão seja retirada. Nesta sexta-feira (13), na última reportagem da série, as ações do poder público e da sociedade para inibir a violência doméstica.

Jornalista fala sobre esperança das mulheres agredidas que esperam um recomeço
Na última reportagem da série Mulheres Ameaçadas, o jornalista Eduardo Ribeiro fala sobre as mulheres que recomeçaram a vida após terem passado momentos de violência no relacionamento.

12 de jul de 2012

O papel das Delegacias.

A segurança pública continua sendo uma das principais áreas para o enfrentamento à violência contra as mulheres no Brasil. E a autoridade policial representa a porta de entrada para o atendimento. Recebe, em média, 60% dos encaminhamentos da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 dentre os serviços públicos.
Criadas há quase 30 anos, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) se configuraram como uma das primeiras políticas de combate à violência de gênero. As DEAMs deram a tônica para uma série de instrumentos públicos, que conformam a Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e o marco legal mais importante - a Lei Maria da Penha.
Os crescentes casos de violência contra as mulheres exigem ação rigorosa do poder público para enfrentar a impunidade. É nesse contexto que a SPM, em parceria com o Ministério da Justiça por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, realiza o encontro nacional “O Papel das Delegacias no Enfrentamento à Violência contra as Mulheres”.
Objetivo do encontro: Fortalecer as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e pactuar as Normas de Atendimento às Mulheres, de acordo com a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006).
Público-alvo: delegadas e delegados, responsáveis por equipes de atendimento às mulheres


Programação
1º Dia - terça-feira (07/08/12)
9h - Solenidade de Abertura
10h - Lançamento da Campanha “Compromisso e Atitude”.
11h - Mesa Redonda: Panorama sobre as Delegacias Especializadas de Atendimento às Mulheres: discussão sobre atendimento, procedimentos e desafios de implementação.
12h às 14h - Almoço
14h - Mesa Redonda: Papel das Delegacias Especializadas de Atendimento às Mulheres frente a novos cenários de enfrentamento à violência: as formas de violência contra a mulher e a investigação policial, em especial nos casos de homicídios, violência sexual e tráfico de mulheres.
15h30 às 16h - Intervalo
16h - Mesa Redonda: Papel das Delegacias Especializadas de Atendimento às Mulheres frente a novos cenários de enfrentamento à violência: O impacto do uso das drogas na violência contra as mulheres e exploração sexual das mulheres enquanto usuárias.
19h - Encerramento

2º Dia - quarta-feira (08/08/12)
9h - Palestra: Aplicação da Lei Maria da Penha e o enfrentamento à impunidade como forma de prevenção da violência.
10h - Questionamentos
10h30 - Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência: funcionamento e fluxos para um atendimento especializado de qualidade.
13h às 14h30 - Almoço
14h30 - Síntese dos encaminhamentos propostos
18h - Encerramento

CPMI - I

                                
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga a violência contra a mulher reuniu se na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em São Paulo, dia 29/6. A comissão realizará diligências em órgãos de atendimento à mulher e audiência pública para ouvir gestores públicos, representantes do Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, OAB, movimentos sociais e sociedade civil organizada.
Em funcionamento no Congresso Nacional desde fevereiro, a comissão tem como objetivo investigar a situação da violência contra a mulher no Brasil e apurar denúncias de omissão do Poder Público.                          
Presidida pela deputada federal Jô Moraes (PCdoB/MG), a CPMI tem em sua relatoria a senadora Ana Rita (PT/ES) e na vice-presidência a deputada federal Keiko Ota (PSB/SP). Todas elas estarão em São Paulo. Parlamentares do Estado também acompanharão as atividades da CPMI, entre elas a senadora Marta Suplicy (PT/SP), deputadas Janete Pietá (PT/SP) e Aline Corrêa (PP/SP). Marta, Keiko e Janete são membros da CPMI e responsáveis pela organização dos trabalhos no Estado de São Paulo. 
Dep. Aline Corrêa (PP/SP), e integrantes dos
Movimentos Sociais da Região 
Metropolitana de Campinas 
Em seu plano de trabalho, a comissão prevê visitas aos dez Estados mais violentos do Brasil para as mulheres, além dos quatro mais populosos do país.
Audiência em São Paulo  foi sendo planejada há meses. Várias outras audiências públicas foram feitas no Estado, que foi divido em regiões. Serão ouvidas autoridades estaduais para discutir e cobrar soluções frente ao diagnóstico fruto de diligências realizadas pelas assessorias da senadora Marta Suplicy e das deputadas federais Keiko Ota e Janete Pietá na capital, Guarulhos, Embu das Artes, Vale do Paraíba, Grande ABC e Campinas. 
Todos os encontros geraram relatórios que serão encaminhados à CPMI. Os movimentos de mulheres e as entidades ligadas ao tema se reuniram e compilaram diversos documentos destinados a ajudar as investigações da Comissão.

Também estiveram presentes Sueli Marostica Mamprin representando a Coordenadoria da Mulher de Valinhos,  Rosangela Teixeira representando o COMEN - Conselho sobre Drogas e Cida Pallotta representando o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher - CMDM e o Conselho Estadual da Condição Feminina - CECF.

Violência em números
São Paulo é o 26º Estado do país em assassinatos de mulheres, com um índice de 3,1 mortes por ano para cada grupo de 100 mil, de acordo com o Mapa da Violência 2012, elaborado pelo Instituto Sangari e pelo Ministério da Justiça. O Estado mais violento para as mulheres é o Espírito Santo, com taxa de 9,4, seguido por Alagoas (8,3) e depois Paraná (6,3).
A cidade de São Paulo, dentre as capitais brasileiras, ocupa a 20ª posição no ranking de homicídios femininos, com 4,8 mortes para cada 100 mil habitantes. Destaque para o município de Embu-Guaçu (SP), que dentre os mais municípios brasileiros com população acima de 26 mil mulheres (cerca de 80 cidades, aproximadamente), ocupa a 26ª posição em mortes de mulheres, com taxa de 12,7 a cada 100 mil habitantes, bem acima da média nacional, que é de 4,4. O relatório completo pode ser acessado no site www.mapadaviolencia.org.br.
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que a violência doméstica é a principal causa de lesões em mulheres de 15 a 44 anos no mundo.
Segundo a relatora da CPMI, senadora Ana Rita, o Brasil é o 7º país que mais mata mulheres no mundo. "Nos últimos 30 anos foram assassinadas 91 mil mulheres, 43 mil só na última década", afirma Ana Rita. "O lar, doce lar não é mais seguro: 68,8% dos homicídios ocorrem dentro de casa e são praticados pelos cônjuges", diz.
Fonte: Assessoria de imprensa da senadora Ana Rita.

Entrevista de Iriny Lopes.


A LUTA DE IRINY LOPES 

Por: LUIS NASSIF

A ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, concedeu entrevista a Revista IstoÉ, onde vê-se que as atuais polêmicas em torno de exageros em propagandas e programas de TV, não são nada perto das brigas que já enfrentou.
Iriny já combateu o crime organizado infiltrado nos poderes de seu estado, o Espírito Santo.  Por sua atuação, passou cinco anos sob proteção da Polícia Federal, ameaçada de morte.
Com longa história de militância e dirigente de organizações de direitos humanos, muitas e muitas vezes teve que sair de casa, inclusive de madrugada, para ajudar mulheres que iriam ser esfaqueadas, mortas.
Com a autoridade moral de quem viveu e vive o dia-a-dia desses dramas e injustiças tão de perto, não são os xiliques de jornalistas alienados e pseudo-humoristas que vão detê-la.
Ela puxa a orelha da imprensa, por sua alienação e ignorância, ao desconhecer a ação da Secretaria de Mulheres no caso das adolescentes estupradas nos presídios do Pará, preferindo enfatizar as picuinhas televisivas.
Eis a entrevista da Ministra:

ISTOÉ - Por que a sra. decidiu censurar o comercial de lingerie, estrelado por Gisele Bündchen?

IRINY LOPES - Não cabe a palavra censura nesse caso. Cabe responsabilidade social. Não temos uma visão moralista nem somos contrárias à publicidade de calcinha e sutiã. Todas nós usamos calcinha e sutiã e gostamos de peças bonitas e benfeitas. O problema é a indução de subalternidade. O comercial dá a entender que a mulher, para se proteger de alguma reação mais agressiva por parte do companheiro, precisa de uma imagem erotizada. Ela poderia conversar sobre aquele assunto vestida.

ISTOÉ - Não é uma reação exagerada? A secretaria não está vendo problemas que não existem?

IRINY LOPES - Na minha opinião, não. Dentro do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, nós temos um eixo muito importante que é a questão do uso da imagem. Temos também uma ouvidoria, para tomar procedimentos que considerem cabíveis. E há o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), que não pertence ao governo. A publicidade tem regras e parâmetros. Na nossa opinião e na das pessoas que enviaram suas mensagens solicitando que a secretaria tomasse providências, há um conteúdo sexista na publicidade e cabe ao conselho analisar e tomar uma decisão. É legítimo, o Conar serve para isso.

ISTOÉ - A sra. reclama da exposição da mulher de forma subalterna, mas a própria Gisele já protagonizou outra propaganda em que aparece limpando o chão, enquanto o marido a troca pela tevê por assinatura. Naquele caso, a secretaria não se manifestou. Por quê?

IRINY LOPES -Também não consideramos aquela uma propaganda adequada à valorização da imagem da mulher. Mas a nossa ouvidoria não foi provocada.

ISTOÉ - Sobram exemplos em que a mulher é usada como símbolo sexual. As propagandas de cerveja estão cheias dessas citações. A secretaria pretende tomar alguma medida?

IRINY LOPES - Sempre vamos reagir ao exagero. Nós suspendemos o comercial de milhões da Devassa no Carnaval do ano passado. O caso da Hope não foi a primeira vez. Não foi nem será o último caso.

ISTOÉ - Quais os cuidados que as agências de publicidade devem tomar a partir de agora para não entrar na mira da secretaria?

IRINY LOPES - A publicidade é do produto, não da mulher. A Hope poderia ter feito outro tipo de exibição durante o comercial da Gisele. Mostrado as peças que queria comercializar, por exemplo. O problema é o conteúdo de certo e errado, que induz à compreensão equivocada de que as mulheres precisam do corpo como instrumento, em primeiro, segundo e terceiro lugar, para se impor. E que a erotização pode reduzir uma reação mais violenta.
ISTOÉ - Nesse ritmo, as novelas vão acabar fora do ar...

IRINY LOPES - Acredito no diálogo. Nós entramos em contato com as redes de televisão para expressar tanto o nosso agrado quanto o desagrado. Nós tivemos novelas que trataram da violência praticada contra a mulher. Mostraram o problema e como enfrentá-lo. É uma contribuição. Na semana passada, liguei para a Ana Maria Braga para parabenizá-la por uma matéria sobre agressão, com base na novela. Também já fizemos contatos mais de uma vez solicitando alteração, dialogando no sentido de mudar o perfil de personagens que tinham características sexistas, sem contraponto na novela. Com o contraponto é o mundo real: há pessoas pacíficas e outras violentas.

ISTOÉ - E a sra. teve sucesso?

IRINY LOPES - Recentemente, me reuni com a Globo. Na novela “Fina Estampa”, que está no ar, a personagem de Dira Paes apanhava muito no começo. Agora, eles deram um tempo. Não queremos ocultar o fato, mas é preciso mostrar que a mulher pode reagir, que há políticas públicas, organismos públicos e grupos de ajuda que ela pode procurar. No aniversário de cinco anos da Lei Maria da Penha, nós recuperamos a personagem Raquel, vivida pela atriz Helena Ranaldi em “Mulheres Apaixonadas”, que passou em 2003. Ela apanhava do marido com uma raquete de tênis. Agora, numa publicidade toda voltada para a Lei Maria da Penha, Helena Ranaldi estimulou mulheres a buscar seus direitos. Nós temos um histórico de diálogo.

ISTOÉ - Mas há que se ter sensibilidade para separar a violência de peças publicitárias bem-humoradas, brincalhonas. Vinícius de Moraes, por exemplo, dizia: “As muito feias que me perdoem. Mas beleza é fundamental.” O que a sra. considera aceitável?

IRINY LOPES - Veja bem, o que pesa para nós não é se a modelo é bonita ou feia. O que não está certo é falar com um homem só se estiver de calcinha e sutiã. E se a mulher for baixinha? Gordinha? A propaganda estrelada pela Gisele é preconceituosa, pretende ser bem-humorada, mas estimula nas próprias mulheres a ideia de que precisa estar erotizada para superar, ganhar ou neutraliar uma reação negativa. Ali manifesta uma opinião de conteúdo a respeito de como as mulheres devem se portar. Essa é a essência do debate que gostaríamos de ter travado, mas não houve oportunidade.

ISTOÉ - Alguns críticos mais exaltados disseram que a sra. teria agido por uma reação feminina de inveja à beleza da Gisele Bündchen.

IRINY LOPES - Eu acho isso uma baixaria. Ter opinião diferente faz parte do processo democrático. Censura é pensar que ninguém pode pensar ou agir diferente do que a gente pensa. O ataque à minha pessoa vem de pessoas despreparadas para o debate democrático.

ISTOÉ - A sra. sempre foi uma militante feminista?

IRINY LOPES - Na verdade, sempre militei na área de direitos humanos. Sou uma mulher que passou por muitos desafios, porque a vida política e a vida pública impõem esses desafios. Sinto bem na pele o que tive de enfrentar para vencer, para dirigir um partido, para conquistar três mandatos de deputada federal. Como militante e dirigente de organizações de direitos humanos, quantas vezes tive que sair de casa para atender casos de mulheres que iriam ser esfaqueadas, mortas. E eu, de madrugada, tinha que bater na porta de juiz, pedir medida protetiva com urgência. Eu conheço de perto esses dramas.

ISTOÉ - No ano passado, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial considerou Monteiro Lobato racista, a ponto de tentar barrá-lo nas escolas públicas. O que será de Nelson Rodrigues, se depender da Secretaria de Políticas para as Mulheres?

IRINY LOPES - O debate sobre Nelson Rodrigues já está posto na sociedade. Se Nelson Rodrigues estava certo, se estava errado. Mas ao fim e ao cabo acabamos na mesmíssima situação: qualquer decisão sobre a publicidade com viés machista compete ao Conar.

ISTOÉ - Então a obra de Nelson Rodrigues será submetida ao Conar?

IRINY LOPES - Nelson Rodrigues já morreu. A obra dele está aí, feita e refeita. Com releitura, sem releitura. Mas nenhuma “mulher gosta de apanhar” (referência à célebre frase do escritor: “Toda mulher gosta de apanhar. Todas não, só as normais”). Nem hoje nem naquela época. Mas, naquela época, as mulheres não tinham voz suficiente para dizer: “Eu não gosto de apanhar.” Ninguém gosta de apanhar, e por que a mulher gostaria?

ISTOÉ -Essa polêmica toda em relação à propaganda é positiva?

IRINY LOPES - As mulheres se organizaram e conquistaram mais direitos. Já são maioria na população, embora ainda não estejamos no ponto de igualdade que achamos que as mulheres precisam estar. Não existiam tempos atrás organizações de mulheres ou feministas.

ISTOÉ - Mas causa estranheza que a secretaria não tenha se manifestado com tanta veemência no caso das adolescentes trancafiadas nos presídios masculinos no Pará.

IRINY LOPES - Claro que nos manifestamos. Deslocamos pessoas para o Pará, conversamos e tratamos com o sistema de segurança e com a Justiça local nos dois casos. Essas ações não viraram notícia. As pessoas deveriam prestar um pouco mais de atenção em tudo o que a gente faz.

ISTOÉ - Os dois assassinatos em Brasília foram executados por homens que não aceitaram o rompimento da relação. Nos últimos 20 anos, houve um avanço surpreendente das mulheres. O que acontece? O homem brasileiro não conseguiu acompanhar essa evolução?

IRINY LOPES - O Brasil é muito conservador e tem o hábito de colocar muita coisa embaixo do tapete. Não é um problema só do homem. É universal. Questões como essa deveriam ser discutidas nas escolas e pela imprensa, mas longe do calor do homicídio. Todos com ódio do homem e pena da mulher ou pensando: “Alguma coisa ela fez.” Como ocorre no caso de mulheres ao depor nas delegacias: “Minha filha, você não apanhou à toa, alguma coisa você fez.” E se fez? A mulher merece apanhar? Claro que não. Pelo momento bom de crescimento que o País está vivendo, pelo acesso ao conhecimento e à informação, a agilidade na mudança cultural poderia ser muito maior. Mas o Brasil ainda é bastante machista.

ISTOÉ -Em quanto tempo a sra. calcula que a Secretaria de Políticas para as Mulheres deixará de existir?

IRINY LOPES - Quando a delegacia da mulher virar peça de museu. (da IstoÉ) 

BASF e o Carnaval.

BASF, uma das maiores produtoras de veneno do Brasil, vai financiar a ESCOLA VILA ISABEL para frazer enredo enaltecendo o agronegocio e seu veneno... no proximo carnaval.

 A Unidade de Proteção de Cultivos da BASF apresentou na última quinta-feira, 5 de julho, na capital fluminense o vídeo 'O Planeta Faminto 2 - Um Novo Capítulo', uma sequência do consagrado vídeo 'Um Planeta Faminto e a Agricultura Brasileira', divulgado pela empresa em 2010. 
O lançamento ocorreu junto ao anúncio oficial de patrocínio da empresa ao desfile do Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, no carnaval 2013. Para o próximo carnaval, a Escola abordará a importância da agricultura brasileira sob o tema 'A Vila canta o Brasil celeiro do mundo - água no feijão que chegou mais um...', dando ênfase ao potencial agrícola brasileiro frente à crescente demanda mundial por alimentos e energia. 
O enredo escolhido pela Vila Isabel homenageará o agricultor brasileiro e sua atividade. No novo vídeo são feitas comparações entre a média de consumo de alimentos em países como a China, Estados Unidos e no Brasil. 
O objetivo da BASF com a peça e o patrocínio é levar informação qualificada sobre o segmento, bem como desmistificar a visão, por vezes distorcida, existente em relação ao papel do agricultor - um dos principais responsáveis pelo abastecimento de alimentos no País e gerador de divisas pela exportação dos excedentes de produção. Por fim, é apresentado o potencial agrícola nacional destinado a outros fins, como a produção de cana-de-açúcar voltada ao abastecimento de biocombustíveis, energia, celulose e até mesmo vestimenta, por meio da pujante produção nacional de algodão. 
 O vídeo 'O Planeta Faminto 2 - Um Novo Capítulo' já está disponível no website da unidade Proteção de Cultivos da BASF (www.agro.basf.com.br), no canal oficial da BASF Agro no Youtube, e nos perfis da empresa no Facebook e no Twitter. Fonte: Agrolink com informações de assessoria da BASF, 6 de julho 2012 PRINCIPAIS E MPRESAS DE FABRICANTES DE AGROTÓXICOS NO BRASIL- 2010 

NOME sede Capital Receitas liquidas milhões R$ 1. MONSANTO SP EUA 12 bilhões (aproximado) 2. SYNGENTA SP Suíça/Holanda 3,18 bi 3. BAYER SP Alemã 2,056 4. BASF SP Alemã 1,558 5. MILENIA PR Holanda 667 milhões 6. NUFARM CE BR/austr. 548 milhões 7. IHARABRAS SP Br/japão 498 milhões 8. NORTOX PR Brasil 316 milhões 9. CAMDA SP Brasil 302 milhões 10. SIPCAM MG Itália 194 milhões 11. SCS ser. Químicos SP Brasil 141 milhões 12. BUSCHLER & LEPPER SC Brasil 136 milhões 13. SUMIMOTO SP Japão 70 milhões Fonte: Anuário do Agronegocio 2011 Globo Rural/ Editora Globop. Rio de janeiro outubro de 2011 Comentários: 1. 

O Brasil possui uma área cultivada de 50 milhões de hectares. Representa apenas 4% de toda área cultivada entre os 20 maiores países agrícolas do mundo. No entanto, consume 20% de todos os venenos agricolas do mundo, e somos os campeões mundiais de consumo de veneno. 2. O uso de mais um bilhão de litros por safra, representa agora 20 litros por ha cultivado. Representa 5,2 litros para cada brasileiro, e 31 litros para cada brasileiro que mora no meio rural. Outros grandes países agrícolas que cultivam mais de 120 milhões de hectares, duas ou três vezes mais áreas do que o Brasil consomem muito menos. 3. No Brasil se utiliza o veneno em quase todos os alimentos, mas principalmente na soja, cana, milho e algodão e em outros alimentos está presente com indices acima do permitio pela OMS (organização mundial da saude)no tomate, pimentão, na maça, melão, e outras frutas consumidas pela população. 4. Se repetem as noticias na grande imprensa revelando denuncias de médicos e especialistas que o uso intensivo dosagrotóxicos pelo modelo do agronegócio está aumentando a incidência cada vez maior de câncer. O Instituto nacional do cancer estima que a cada ano, mais de 500 mil novos casos de cancer são contraidos pelos brasileiros, sendo que 40% deles devem ir a óbito. E a maior causa de incidencia de cancer é a origem dos alimentos contaminados. Ou pelos venenos existentes no Tabaco, e na aguardente de cana.

6 de jul de 2012

Mulheres na Rio+20


Mulheres na Rio+20 denunciam violação dos compromissos assumidos na Eco 92


Nós, de organizações feministas e de mulheres de diferentes países, reunidas no Território Global das Mulheres da Cúpula dos Povos, nos manifestamos frente aos governos que participam da Rio+20 para denunciar a sistemática violação dos compromissos mínimos assumidos na Eco 92 e as falsas soluções para alcançar o desenvolvimento sustentável baseadas na financeirização da natureza e no aprofundamento de um modelo de produção e consumo que é desigual e insustentável. A necessidade de lidar com os limites que a natureza impõe torna ainda mais dramáticas e urgentes as decisões governamentais para enfrentar as causas estruturais da crise sistêmica.

O sistema capitalista, em crise, prossegue explorando os bens comuns, privatizando os recursos naturais e mercantilizando o acesso aos direitos. Uma crise que tem suas raízes na perversa combinação entre capitalismo, patriarcado e racismo - sistemas que estruturam as desigualdades e injustiças pela militarização, pela divisão sexual do trabalho, pelo racismo ambiental, pela violação dos corpos das mulheres, entre outras formas de dominação e exploração no planeta e em nossas sociedades.
Esta crise e civilizatória. Abarca elementos econômicos e financeiros, mas também políticos, ambientais, culturais e sociais. Resulta na destruição da biodiversidade e dos recursos naturais, ao mesmo tempo que permite a consolidação de novas formas do patriarcado, incentiva e sustenta a criminalização da ação dos movimentos sociais.
Rechaçamos a imposição de um modelo econômico e de desenvolvimento que gera ao mesmo tempo que acirra as desigualdades, que destrói a natureza e a mercantiliza inventando, cinicamente, uma “economia verde” que aumenta as taxas de crescimento e de lucro para os mercados. Um modelo que prefere salvar os bancos e os banqueiros embora a precariedade e o desemprego deixem nas ruas milhões de pessoas. Um modelo baseado no lucro e na competição no qual, mais importante do que a cidadania das pessoas, e sua qualidade enquanto consumidoras. Um sistema que para sair da crise que ele próprio gerou, se apoia em forças retrógradas e fundamentalistas.
Os movimentos de mulheres e o movimento feminista participaram ativamente desde a Eco 92, lutando todos os dias para efetivar os direitos humanos, em particular os direitos das mulheres, e questionando as bases do sistema capitalista. Nossos movimentos não se calaram durante todos esses anos, quando muitos governos e organismos internacionais não fizeram a sua parte e tampouco prestaram contas sobre os compromissos assumidos na Rio 92.
Hoje, na Rio+20, viemos denunciar a evidente tentativa de retroceder em relação à garantia de direitos e à justiça socioambiental. Conclamamos representantes dos países na Rio+20, em especial o governo brasileiro, que coordena neste momento as negociações, a manter o compromisso com os direitos humanos já conquistados, inclusive os direitos sexuais e reprodutivos, assumindo a obrigatoriedade da sua efetivação com políticas públicas universais.
Repudiamos a ação ilegítima do G20 que, ora reunido no México, pretende impor um pacote de medidas predefinidas. São medidas que sequestram a democracia de um sistema internacional multilateral, instaurando uma agenda de aprofundamento da financeirização do sistema econômico e mercantilização dos direitos. São medidas que configuram uma captura corporativa das Nações Unidas por parte dos empreendimentos multinacionais que pretendem substituir por serviços, os direitos que devem ser garantidos pelos Estados.
Reivindicamos que os governos e organismos internacionais presentes à Rio+20 não retrocedam em relação aos compromissos assumidos pelos Estados, em termos de direitos humanos. Instamos os Estados-membros presentes nessa Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável a tomar medidas efetivas e alocar os recursos necessários para fazer cumprir o que foi pactuado na Eco 92, Viena 93, Cairo 94, Beijing 95, Durban 2001.
Demandamos a efetivação dos direitos humanos, individuais e coletivos, direitos sociais, culturais, ambientais, direitos reprodutivos, direitos sexuais de mulheres e meninas, direitos econômicos, direito à educação, direito à segurança e soberania alimentar, direito à cidade, à terra, à água, direito à participação política equitativa e igualitária.
Rechaçamos a falsa solução apresentada pela chamada “economia verde”, um instrumento que acirra ao invés de fazer retroceder o impacto destruidor da mercantilização e da financeirização da vida promovidas pelo capitalismo.
Finalmente, afirmamos que não validamos os compromissos governamentais concebidos sob a forma de programas mínimos, contraditórios com a responsabilidade pública assumida pelos governos e organismos internacionais com relação à garantia dos direitos humanos das mulheres. Não aceitamos paliativos, que deixam intocadas as causas estruturais dos problemas sociais, econômicos e ambientais, reproduzindo e agravando as múltiplas formas de desigualdades vividas pelas mulheres, assim como as injustiças socioambientais. Não nos bastam os objetivos reduzidos, como os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio-ODMs, e tampouco nos bastam os objetivos que ora se propõem com as Metas de Desenvolvimento Sustentável. Uma proposta que se impõe no vácuo da menção aos direitos humanos, abrindo caminho para a privatização de sua efetivação. Demandamos a efetivação dos direitos de todos os povos do mundo a seus territórios e seus modos de vida. Defendemos o direito de nós mulheres à igualdade, autonomia e liberdade em todos os territórios onde vivemos e naqueles onde existimos, ou seja, nossos corpos, nosso primeiro território!
Fonte: notícia publicada na Agência Patrícia Galvão, em 19/06/2012.

4 de jul de 2012

Mapa da Violência 2012.


Você poderá acessar o Mapa da Violência 2012 - Os novos padrões da violência homicida no Brasil, o estudo analisa os últimos 30 anos de violência homicida no país e verifica profunda mudança nos padrões históricos.
Aponta as principais características da evolução dos homicídios em todo o país: nas 27 Unidades Federadas, 27 Capitais, 33 Regiões Metropolitanas e nos 200 municípios com elevados níveis de violência.
Em planilhas anexas nesta página, constam os dados da violência dos 5565 municípios brasileiros. 


Caderno Complementar 1 - Homicídio de Mulheres no Brasil
Caderno Complementar 2 - Acidentes de Trânsito


Fonte: Portal Mapa da Violência.